Rio: Após luta, estilista consegue tirar RG com turbante

Com turbante amarelo estampado com flores vermelhas, a estilista mineira Rogéria Ferreira, de 35 anos, apresenta a identidade como quem mostra um troféu.

Após ser impedida de tirar a foto do RG com turbante, Rogéria procurou a polícia, a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Depois da intermediação do Núcleo de Igualdade Racial da OAB, finalmente foi autorizada a tirar a foto. Um ano depois do movimento, um parecer da Procuradoria-Geral do Estado garantiu o direito de que as pessoas exibam, em seus documentos de identidade, foto usando turbantes, chapéus, véus ou

WJTURBANTE22 - RJ - 09/03/2017 - TURBANTE / IDENTIDADE - CIDADES OE - A estilista Rogéria Ferreira, de 35 anos, durante sessão de fotos cedida ao Estado nesta tarde de quinta-feira, 09, no centro do Rio. Rogéria apresenta a carteira de identidade como quem mostra um troféu. Ela aparece com um vistoso turbante amarelo, estampado com flores vermelhas. Mas antes de ter direito a aparecer no documento com o adereço, foi humilhada. Rogéria procurou a polícia, a Defensoria Pública, a OAB. Um ano depois do movimento, um parecer da Procuradoria Geral do Estado garantiu o direito que exiba, em seus documentos de identidade, foto usando turbantes, chapéus, véus ou qualquer outra cobertura de cabeça, feita por motivo religioso. FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

 

“Minha avó nunca alisou o cabelo. Cuidava, tinha todo um ritual, e depois colocava o turbante. Um dia eu perguntei: ‘Por que a senhora tem um trabalho danado para cuidar do cabelo e amarra um pano?’ Ela falou: ‘Filha, esse pano faz parte de mim. Estar sem lenço é como estar sem roupa. O turbante faz parte da nossa linhagem’. Essa história não pode ser perdida. Se você não entende, não faz mal. Respeite”, afirma.

 

Rogéria mudou-se para o Rio aos 18 anos, a fim de estudar. Pouco depois que a avó morreu e, como forma de homenageá-la, passou a usar o turbante diariamente. Por duas vezes, perdeu a identidade em assaltos. A primeira vez em que procurou o Detran para tirar a segunda via, a atendente elogiou seu turbante. Pediu para aprender a fazer a amarração. E Rogéria ensinou. “Não tive problema nenhum na hora da foto.”

Hoje, Rogéria tem uma grife, a Matamba Ateliê, em que faz roupas afro e turbantes.

Passaporte. A Polícia Federal informou que para emissão de passaporte cabe ao agente a avaliação sobre o documento de identidade apresentado. Se a foto for considerada antiga, ou desgastada, ou se ainda o agente avaliar que não é possível identificar a fisionomia da pessoa, o documento pode ser recusado.

 

 

Informações: Estadão

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